Futsal...tempo

Campo Virtual

Introdução

Na integra

Depois da escala em Madrid, seguiu-se a viagem para o Brasil mais propriamente para Jaraguá do Sul, para o estágio da equipa de futsal da Malwee, uma das maiores referências da modalidade a nível mundial e um reencontro com o enorme treinador Porf. Fernando Ferretti. Uma experiência inesquecível não só pelo nível de ensinamento, quase sempre prático e com alguns dos melhores joghadores mundiais, mas pela troca de ideias e amabilidade. Prof. Fred Antunes (treinador-redes da Malwee e selecção nacional); João Romano (Preparador Fisíco também da Selecção Brasileira) Marco Moraes, Renato Vieira, Fio (supervisor do Sub-20) são apenas alguns dos nomes neste inicio de estágio que 

 

 

 

 

 

Depois de terminado o ciclo com as cores do futsal do S. João e que culminou com a subida de divisão e o título de vice-campeão nacional da III Divisão, Miguel Tente seguiu viagem para o Brasil, juntamente com Nuno Martinho, que fazia parte também da equipa técnica, para estar presente no estágio da equipa brasileira de futsal Malwee. A equipa de Jaraguá do Sul, orientada por Fernando Ferretti, é considerada como uma das maiores referências do fuitsal mundial e onde actuam alguns dos melhores jogadores da actualidade e da selecção brasileira, como Falcão, Lenísio ou Tiago.
Nesta longa viagem os respectivos técnicos fizeram escala também em Madrid para sentir o ambiente do novo clube de José Mourinho...  

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

Tendo em conta que este é um projecto pedagógico na Escola de Futsal do Benfica a educação psicomotora é a base do processo de aprendizagem, tendo como objectivo o desenvolvimento geral das capacidades técnicas e tácticas. Mas para que a criança aprenda gestos técnicos tem que aprender os movimentos básicos, como correr, saltar, etc.

Aliado à aprendizagem da técnica individual estão fundamentos como o equilíbrio, o ritmo, a coordenação, noções de espaço e tempo, entre outras. Mas não nos devemos esquecer que as crianças são seres pensantes e a aprendizagem motora tem que ser vista como uma ligação entre o pensamento e a acção. Sendo assim pretende-se através do trabalho de campo um desenvolvimento das suas capacidades cognitivas, de percepção, antecipação e tomada de decisões.

 

 As actividades do treino tentam retratar as situações problema que o aluno precisa resolver durante o jogo, como também fornecer, paralelamente, elementos racionais que orientem o processo de tomada de decisões, de forma que a escolha do jogador recaia sobre as jogadas consideradas mais adequadas do ponto de vista táctico.

Em relação ao modelo situacional, optou-se por criar jogos modificados que coloquem a criança diante de situações problema de jogo estruturais: mano-a-mano (1X1); inferioridade numérica (1X2); superioridade numérica (2X1); equilíbrio numérico com apoio de um atacante (1+2X2); equilíbrio numérico com recuperação de um defensor (2X2+1) e assim por diante.

 Estimula-se, dessa maneira, o aluno a ter autonomia para analisar na prática as alternativas possíveis e escolher a que julgar mais conveniente (tomada de decisão) descobrindo os recursos tácticos disponíveis para construção das jogadas.

 

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A época de 2008/2009 foi marcada pela frustração, a tristeza , desilusão mas no fundo do dever cumprido, de uma equipa que realizou uma grande época para cumprir um sonho de muitos anos de uma localidade e de muita gente que fazem do S. João a sua bandeira. Foi demasiado duro para o que se viveu, mas a equipa do S. João voltou a acreditar que com trabalho, sofrimento e abnegação era capaz de voltar a acreditar e esta época 2009/2010... 

 

 
 

O site Tente Futsal está de regresso com um novo figurino. Apesar de alguns problemas técnicos que levaram à suspensão do mesmo, decidimos reactivar este espaço face às solicitações dos inúmeros usuários que partilhavam e contribuíam para o desenvolvimento do mesmo. Apesar de uma aparência renovada, os conteúdos foram respeitados, como reconhecimento por aqueles, que desde a 1ª edição, decidiram através das suas experiências partilhar os conhecimentos adquiridos. Este desafio, que teve uma maior aceitação além fronteiras, originou a que o site contenha inúmeras referências da realidade brasileira na modalidade. Como ninguém é “dono da razão”, nem da “bola de jogo”, este é um espaço de partilha numa procura de um melhor futsal. Seja bem vindo...

 
Representar o Sport Lisboa e Benfica (SLB) é um sonho de muitas crianças que, a partir de Setembro, será facilitado, em particular na região de Coimbra. Nuno Martinho e Miguel Tente serão os responsáveis pela mais recente escolinha de futsal do Benfica, que terá como sede a cidade do Mondego.

Nuno Martinho revela que «os objectivos a atingir e pensando que o mais importante são as crianças, passam por tentar criar um espaço onde elas se sintam motivadas, acompanhadas e com vontade de voltar sempre para praticar futsal». A juntar a isto, o responsável pretende que os jovens que ingressem na escola «sintam a felicidade e o orgulho de vestir a camisola do Benfica, pois fazem parte integrante como jogadores dos escalões de formação da maior referência do futsal nacional e uma das mais importantes a nível internacional».

Aqueles que entrarem na escolinha ficarão ligados “ao ninho da águia” e serão mesmo alvo de acompanhamento próximo por parte dos dirigentes encarnados de Lisboa. «Relativamente a este projecto, esperamos crescer de forma sustentada», desejou Nuno Martinho.

Miguel Tente começou por referir que «acreditamos neste projecto pelo seu valor pedagógico», passando a explicar que «cada criança tem uma história de vida que deve ser respeitada e num processo de ensino-aprendizagem devemos descer ao mundo delas, compreender os seus anseios, afastar os seus medos e partilhar as suas alegrias».

O experiente técnico garante que «apostando na vertente pedagógica, a criança como desportista, além de aprender habilidades e desenvolver capacidades, vai construir valores e atitudes de uma forma mais positiva, tendo como base um ensino baseado no prazer de jogar, numa cultura de lazer, na valorização da auto-estima e construção da cidadania».

Para Miguel Tente, «o mundo das crianças é algo de fascinante. Nestes 18 anos de futsal, foram inúmeros os exemplos que vi, em que o mundo dos adultos, através da selecção, do desenvolvimento precoce, da procura de talentos e conquista de títulos a todo o custo, fez nascer os ditos craques com “pés de barro” e desaparecer crianças que apenas tinham o prazer de jogar».

Directores confiantes
Joaquim Silvestre, responsável pela Área de Recrutamento e Formação e Área Técnica do SLB, garante que quer «levar o projecto do futsal do Benfica a todo o lado». O projecto de Coimbra agradou ao dirigente uma vez que «os responsáveis têm um grande “know how” técnico, há uma comunhão de ideias com o que pretendemos para a formação e há objectividade e seriedade por parte do projecto do Miguel Tente e do Nuno Martinho no trabalho apresentado».

O responsável benfiquista enalteceu que Coimbra «tem uma grande quantidade de praticantes e é um local excelente para abrir um pólo, uma vez que vai proporcionar a muitos jovens representarem o Benfica e servirá igualmente para “espicaçar” outras instituições a trabalharem bem na formação».

Joaquim Silvestre revela que o sucesso destas escolas começa quando «o gosto pela formação e pelo futsal vem sempre muito antes da parte financeira, uma vez que é preciso trabalhar muito, ser persistente e dinâmico para se obterem resultados positivos», acrescentando que «os pais e as crianças são muito mais exigentes quando se trata de uma escola do SLB».

O dirigente benfiquista salientou ainda que «as crianças e os treinadores são parte integrante da estrutura do futsal do Benfica», pelo que em cada torneio ou evento em que participem estarão sempre em nome do SLB.

A assinatura do contrato que oficializou a escola de futsal do Benfica em Coimbra realizou-se em Lisboa e as inscrições poderão ser feitas através do e-mail This e-mail address is being protected from spam bots, you need JavaScript enabled to view it endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , sendo que, brevemente, estará disponível no site do Benfica, na área dedicada às escolas, a ficha de inscrição. Os treinos começam em Setembro.

Ricardinho apoia escola de Coimbra
É considerado por muitos como o melhor futsalista português da actualidade. Ricardinho dá a cara pelas escolinhas de futsal do Benfica e, na apresentação do futuro pólo de Coimbra, o “mágico”, marcou presença, deixando votos de felicidades para o projecto. «Parabéns por fazerem este projecto. Certamente vão ajudar a formar grandes jogadores e acima de tudo grandes Homens», frisou.

Ricardinho aconselha os mais jovens a «seguirem os seus sonhos que têm», porém «nunca devem abandonar os estudos», dando como exemplo… ele próprio. «Eu deixei e não o deveria ter feito, por isso posso aconselhá-los a prosseguirem os estudos em conjunto com a aprendizagem de futsal».
 

 

Treinar o Centro Social S. João na época passada foi um novo desafio e como disse um dia Michael Jordan “O triste da vida não é ter problemas ou derrotas. O triste da vida é ser medíocre. É não errar pelo simples facto de nunca ter tentado”. Foi uma época especial em que recusámos ser medíocres, em que nunca tivemos o medo de errar e fizemos aquilo que acreditávamos. Perdemos a subida no jogo decisivo é certo...mas não confundimos derrota com fracasso, nem vitória com sucesso. Tivemos a humildade de saber perder e a coragem de enfrentá-la e por isso voltamos esta época sem medo de errar, porque continuamos a acreditar que um dia podemos ser campeões!

 
Psicologia Positiva PDF Print E-mail
Written by Miguel Tente - Trabalho Psicologia Positiva - Escola Superior de Rio Maior   

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INDICE
INTRODUÇÃO 
1 PSICOLOGIA POSITIVA 
1.1. Conceito 
1.2. Enquadramento desportivo 
1.3. Enquadramento organizacional 
2 GESTÃO DO CAPITAL PSICOLÓGICO POSITIVO 
2.1. Auto - confiança 
2.2. Esperança 
2.3. Optimismo 
3 RESILIÊNCIA OU LIVESTRONG 
CONCLUSÃO 
REFERÊNCIAS

 


 
Este trabalho visa a abordagem do tema Psicologia Positiva. Numa fase inicial o trabalho irá incidir sobre o tema de Psicologia Positiva, aprofundando o seu conceito, nomeadamente, num enquadramento desportivo e organizacional.Posteriormente, haverá uma abordagem à importância da gestão do Capital Psicológico Positivo.Feita esta abordagem ao conceito, serão analisados diferentes parâmetros da gestão do Capital Psicológico Positivo e características próprias com destaque para a Resiliência. A concluir será descrito um caso do desporto, mais propriamente do ciclista Lance Armstrong, que irá enquadrar os conceitos acima referidos.
 
1 Psicologia Positiva

1.1. Conceito

Nasceu uma nova psicologia: “seja positivo com a vida”. Este, bem que podia ser o slogan promocional a circular no mundo do desporto a par do fair-play, num claro objectivo de “ensinar às novas gerações a resiliência, a esperança, o optimismo, para as tornar resistentes à depressão e capazes de levar uma vida mais feliz e produtiva”, como defende o psicólogo Martin Seligman, apontado como o mentor da Psicologia Positiva.
No entanto Seligman e Csikszentmihalyi alegam que a “psicologia positiva não é uma ideia nova”, mas “certamente hoje deve tomar novo alento e novo desenvolvimento, mesmo por razões históricas, pois a humanidade enfrenta novos riscos e desafios e, apesar dos grandes progressos científicos-tecnológicos, também novas e graves ameaças (degradação ecológica, doenças graves como a Sida ou o cancro, terrorismo, guerras, etc) a assaltam”. (José Barros de Oliveira, 2004, p.9).


 Martin Seligman, presidente da American Psychological Association, publicou vários artigos mensais no ano de 1998, alertando para a necessidade de mudança em relação às preocupações da Psicologia. Esta ciência deveria construir uma “visão de ser humano com ênfase em aspectos virtuosos”. Este movimento intitulado Psicologia Positiva assume formalmente esta nova posição na edição especial de 2001, do periódico American Psychologist, como uma “tentativa de levar os psicólogos contemporâneos a adoptarem uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e das capacidades humanas”. (Sheldon & King, 2001, p. 216). 

No desporto, tal como na vida, as exigências são cada vez maiores e não basta a preocupação de criar camisolas “inteligentes” que dão a informação sobre o gasto energético do atleta, ou chuteiras anatómicas, ou bicicletas aerodinâmicas. Alguém vai ter que provar a utilidade destes avanços tecnológicos e esse será o ser humano, que como ainda não tem nenhum chip programado implantado no cérebro, terá que recorrer às suas emoções positivas para o conseguir. Quando nasce um conceito novo, é porque, em princípio há uma necessidade urgente de se alterar e melhorar algo e se há alguma disciplina que tem a capacidade de ajudar o ser humano de uma forma directa, essa é a psicologia, que pode contribuir no futuro com uma “nova ciência da fortaleza e da resiliência”. (Seligman e Csiksentmihalyi, 2000, p. 8). 
 A Psicologia Positiva conquistou o seu espaço como um ramo recente da psicologia  que busca compreender os processos subjacentes às qualidades e emoções positivas do ser humano. (Cunha, M.P., 2006, p. 87).


 Esta nova corrente está no sentido oposto da psicologia clássica, que focaliza a sua acção sobre a compreensão e tratamento de patologias. Seligman e Csiksentmihalyi, salvaguardam que “chegou o tempo da Psicologia Positiva. A nossa mensagem pretende relembrar ao nosso campo que a psicologia não é apenas o estudo da patologia, da fraqueza e da perda. É também o estudo da fortaleza e da virtude. O tratamento não passa apenas pelo conserto do que está quebrado, mas pelo cuidar daquilo que é melhor”. (Cunha, M.P., 2006, p. 88).

1.2. Enquadramento desportivo

O desporto é um fenómeno social e um exemplo dado muitas das vezes às gerações mais novas, como uma “escola de vida”, de valores, de princípios, de ética, de Olimpismo, mas nós sabemos que nem sempre é assim. O desporto moderno está em crise, muito por culpa de interesses económicos, que entraram em campo para ter resultados e fugir ao controlo anti-ético, seja no desporto profissional, seja no desporto de educação. O mesmo será dizer que está em crescendo uma indústria de entretenimento, virada para o lucro. Um grande jogo de monopólio, em que as organizações desportivas, estabelecem jogadas perigosas com corpos estranhos ao desporto, transformando os atletas em meras peças que giram de casa em casa à procura de lucro. Os atletas, como parte mais visível deste jogo dentro das organizações, vêm-se obrigados,   para atingir as metas exigidas, a ter que potencializar os seus recursos cada vez mais de forma positiva. Por exemplo, um dos maiores problemas com que se debate qualquer atleta são as lesões, tendo em conta as consequências físicas e psicológicas que daí resultam.

Esta é sem dúvida uma área onde a Psicologia Positiva pode ter um papel determinante. O pensamento positivo pode mesmo ser a “chave da recuperação”, como confirma António Labisa Palmeira (mestre em psicologia do desporto): “Os elementos que influenciam o processo de reabilitação derivam da interacção entre a resposta cognitiva (o que o atleta pensa), emocionais (o que o atleta sente) e comportamentais (o que o atleta faz). Tendo como cenário base os factores pessoais – onde entram as atitudes – e situacionais (por exemplo, onde, quando e como ocorreu a lesão e as influências dos treinadores e colegas) nota-se que é na resposta cognitiva que as atitudes terão maior peso, pois os atletas que recuperam melhor são aqueles que estabelecem objectivos, que criam expectativas realistas para a sua reabilitação, que conseguem arquitectar um esquema de pensamentos motivantes. No fundo, recuperam melhor aqueles que melhor percepcionam a sua situação actual. Por exemplo, se um atleta não consegue definir um objectivo do tipo: dobrar a perna a 90 graus daqui a 15 dias terá maiores dificuldades em se manter motivado para os processos, por vezes dolorosos, da reabilitação. Outro exemplo é o do atleta que, embora recuperado fisicamente, mantém a ideia de que ainda está lesionado e tem grandes problemas em executar um gesto que, em termos médicos, lhe seria perfeitamente possível (o medo da reincidência da lesão é um dos elementos mais difíceis de ultrapassar)”. 

Este psicólogo do desporto investigou prospectivamente, no período de uma época desportiva, os efeitos dos eventos de vida, aptidões de confronto e personalidade na previsão e reabilitação das lesões desportivas em 57 atletas de elite (nível profissional e, ou selecção nacional), conforme teorizado nos modelos de Williams e Andersen (1998) e Wiese-Bjornstal e A. Smith (1993, 1998). As conclusões confirmaram a influência que a Psicologia Positiva pode ter no desporto: “Os eventos de vida moderaram as lesões. 0 aumento dos eventos de vida negativos (EVN) esteve associado a maiores taxa de lesão, enquanto que o aumento dos eventos de vida positivos (EVP) associou-se a menores taxas de lesão”.

1.3. Enquadramento organizacional

Também no comportamento organizacional a psicologia tem focalizado a sua atenção no tratamento de patologias, quebras de produção, absentismo, rotatividade… entre outras. No entanto, a nova vaga da Psicologia Positiva introduziu no ambiente de trabalho outros conceitos como: o optimismo, habilidades individuais, virtudes, ou mesmo será dizer, potencializando o que de melhor as pessoas têm. 
A Psicologia Positiva já apresenta resultados práticos sobre as organizações, pois como escreveu Arménio Rego (professor universitário), num artigo publicado no Diário de Notícias (11.08.06), “nas organizações em que vigora a gestão positiva há equilíbrio entre as necessidades económicas e as práticas de um colectivo social saudável: encorajamento aos mais fracos, recompensa da lealdade, estímulo da competição justa, gestão apropriada do stress.

A gestão positiva origina, pois, organizações com dinâmicas sociais saudáveis. Nestas é aplicado um princípio básico do comportamento organizacional positivo: as forças e as capacidades psicológicas positivas podem ser geridas em prol do desempenho organizacional e da realização pessoal dos colaboradores. A abordagem positiva poderá, pois, ser usada como alavanca para estimular uma forma construtiva de (re)pensar a gestão. Incentivar virtudes, respeitar a dignidade humana, prezar a excelência, velar pela busca de felicidade, promover a cooperação e a confiança - eis aspectos que poderão gerar consequências desejáveis nos indivíduos e nas organizações. Os efeitos da positividade organizacional podem mesmo transcorrer para o exterior - gerando impacto positivo na satisfação dos clientes e na comunidade circundante”.

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2 Gestão do Capital Psicológico Positivo

PsyCap – Psycological Capabilities – foi assim que Fred Luthans, psicólogo norte-americano, designou as características positivas como capacidades psicológicas e das quais fazem parte a esperança, o optimismo, a auto-confiança e a resiliência (Cunha. M. P., Lopes. M. P.,  2005, p.1).
As capacidades psicológicas positivas dos indivíduos têm sido alvo de apurados estudos, estudos estes que têm demonstrado que quanto mais eles possuem estas capacidades psicológicas, mais elevado é o desempenho dos colaboradores (Luthans, Avolio, Walumbwa, & Li, 2005). 
Existe já uma clara preocupação em perceber, desenvolver e aplicar estas características positivas ao mundo da gestão e mais propriamente aos gestores. “Estes deverão ter como prioridade, estimular as qualidades positivas que as pessoas possuem (aquilo em que realmente são boas) e ajudá-las a encontrar os nichos que fomentem a auto-realização através da utilização dessas forças” (Seligman e Csiksentmihalyi, 2000) – (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005,  p.2).


São vários os estudos e teorias que têm procurado dinamizar este novo conceito no mundo da gestão, como é o caso da «Teoria do Alargamento e Construção», de Barbara Fredrickson. Com base em dados empíricos esta teoria defende que “em vez de nos ajudarem a resolver problemas de perigo eminente como fazem as emoções negativas, as emoções positivas ajudam a resolver problemas relacionados com o crescimento e o desenvolvimento pessoal”. Para Fredrickson as “emoções positivas alargam o estado mental momentâneo dos indivíduos e, como tal, ajudam a construir recursos pessoais duradouros” – (Cunha. M. P., Lopes. M. P.,2005, p.3).


Também Luthans procurou aplicar os seus estudos numa lógica de gestão, ao defender que as capacidades psicológicas positivas podem ser vistas como capital psicológico, capaz de se traduzir em valor acrescentado para as organizações (Luthans & Youssef, 2004) – (Cunha. M. P., Lopes. M. P, 2005, p.3). O capital psicológico constitui “um factor psicológico central de positividade em geral e de obediência aos critérios do comportamento organizacional positivo, em particular, que vai além do capital humano (conhecimento, capacidades e competências derivadas da educação, experiência, e destrezas – skills - específicas identificáveis) e do capital social (contactos e laços que os membros de uma organização estabelecem entre si e com o mundo exterior), acrescentando-lhes vantagem competitiva através do investimento/desenvolvimento de quem se é.” (Luthans e Youssef, 2005) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. , 2005, p.4).
Auto-confiança, esperança, optimismo e resiliência são algumas das características da psicologia positiva e que nos últimos anos têm sido alvo de estudos aprofundados e definidos como critérios pelo comportamento organizacional. (Luthans, Avolio, Walumbwa, & Li, 2005; Luthans & Youssef, 2004).


De seguida iremos definir os três primeiros conceitos acima referidos, articulando-os com partes de um artigo de índole desportiva, intitulado «O “Pensamento Positivo” de Scolari», publicado por FIFAworld.com a 30 de Junho de 2006. No que respeita ao quarto conceito, Resiliência, iremos desenvolvê-lo, no capítulo seguinte.

2.1. Auto - confiança

Convicção que uma pessoa tem sobre o quanto consegue mobilizar a sua própria motivação, os seus recursos cognitivos, e os cursos de acção necessários à realização de uma tarefa especifica num determinado contexto (Luthans & Avolio, 2003) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.5) . São vários os estudos que demonstraram que auto-confiança/auto-eficácia influencia positivamente o desempenho no local de trabalho, mais até do que o estabelecimentos de objectivos, a presença de feedback, e do que a própria satisfação com o trabalho (Stajkovic & Luthans, 1997) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). “Acreditem! Confiem que estes jogadores vão fazer o melhor e que amanhã (sábado) vão estar imbuídos desses espírito. É preciso pensamento positivo. É assim que nós vamos dar o passo que todos desejamos”.

2.2. Esperança

Capacidade para definir objectivos, encontrar forma dos alcançar e motivar-se para isso (Snyder, 2000) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). Podemos assim sistematizar dois grandes vectores desta capacidade: Willpower (o quanto se acredita ser capaz de alcançar determinados objectivos) e o Waypower (o quanto se é capaz de formular planos eficazes para os alcançar) – (Snyder, Sympson, Ybasco, Borders, Babyak & Higgins, 1996) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). “Os jogadores sabem que este é um dos jogos mais importantes do futebol português e querem a oportunidade de estar entre os quatro primeiros, mas o que eu podia cobrar já cobrei. Não posso, não devo, não vou exigir nada mais do que estão fazendo. Se não eliminarmos a Inglaterra é porque eles estiveram melhor”.


2.3. Optimismo


Expectativa generalizada de que irão acontecer coisas boas (Scheir e Carver, 2003) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). Indivíduos mais optimistas são mais facilmente motiváveis para o trabalho, têm maiores níveis de aspiração e objectivos mais ambiciosos, apresentam uma maior perseverança face a obstáculos e dificuldades e encontram-se mais satisfeitos com o trabalho (Luthans, 2002) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.7). Mesmo que as condições não garantam um determinado resultado, as crenças positivas podem traduzir-se em resultados positivos pela mera acção de profecias auto-confirmatórias. (Peterson & Chang, 2003) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). “Confio no ditado popular (ndr: não há duas sem três), mas não sei se é verdade. Temos de acreditar, pois tenho feito o meu trabalho. Sou um treinador que gosta de resultados. Não sou mentiroso, que diz que quero ganhar lindamente, jogar lindamente. Quero resultados. E quem jogou lindo está em casa. Não digo que não vale a pena dar espectáculo. Se puder ter resultados e jogar bonito, ok. Se não tiver, estou desempregado. Vivo de resultados”.

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3 Resiliência ou Livestrong

  “Resiliência é um conceito fácil de entender mas difícil de definir e impossível de ser medido ou calculado exaustivamente” (Rodriguez, 2005) - Barlach, Lisete, (2005, p.6). Isto porque o ser humano é “volitivo”. “O que é então o ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é. É o ser que inventou as câmaras de gás, mas é também aquele que entrou nas câmaras de gás, erecto, com uma oração nos lábios”. Frankl, V. E.. (2006).
“Resiliência, diremos que é a capacidade de sair vencedor de uma prova que poderia ter sido traumática, com uma força renovada”. (Anaut, Marie, 2005). O ciclista Lance Armstrong é a prova viva disso mesmo: depois de vencer um cancro, conseguiu uma força renovada, para conquistar por sete vezes consecutivas a prova mais importante do ciclismo mundial, a Volta a França em Bicicleta e criar a Fundação Lance Armstrong – LiveStrong -, que ajuda pessoas, nomeadamente crianças que lutam contra o cancro - http://www.livestrong.org/.


Segundo a definição de Luthar e colaboradores (2000) - Barlach, Lisete. (2005, p.27), a resiliência “refere-se a um processo dinâmico que compreende a adaptação positiva no quadro de uma adversidade significativa” . E este quadro de adversidade começou bem cedo na vida de Lance Armstrong. Este ciclista norte-americano nasceu a 18 de Setembro de 1971, na cidade de Dallas, com o nome de Lance Edward Gunderson. A sua mãe tinha apenas 17 anos e o apelido Armstrong foi adoptado quando Linda se separou de Edward Gunderson e casou com Terry Armstrong. Na autobiografia de Lance Armstrong "It’s Not About the Bike", fala de um homem que utilizava uma pá de madeira para bater no jovem Armstrong. Após o pai os ter abandonado, Linda teve dois e três empregos para sustentar Lance e o seu apoio foi determinante para que este entrasse no mundo do desporto.


Lance Armstrong parece ter herdado da sua mãe a capacidade positiva para ultrapassar as fases mais complicadas da sua vida, cumprindo como máxima um conselho que ela lhe dava para motivá-lo e como está retratado na sua autobiografia: "faz de cada negativo um positivo" .
A Resiliência é frequentemente referida por processos que explicam a “superação” de crises e adversidades em indivíduos, grupos e organizações (Yunes & Szymanski, 2001, Yunes, 2001, Tavares, 2001) – Yunes, M. A. M., (2003, p.76) . Ao ter conhecimento da doença, um cancro nos testículos em estado avançado, com metástases espalhadas pelos pulmões e cérebro, Lance Armstrong deixou o aviso ao seu mais recente adversário: “Enganaste-te na pessoa ao escolheres um corpo para viver, cometeste um erro porque escolheste o meu”. Jenkins, S. (2004)
“O ser humano resiliente é aquele que tem habilidade para reconhecer a dor, perceber seu sentido e tolerá-la até resolver os conflitos de forma construtiva” (Flach, 1991) - Pinheiro, D. P. N., (2004, p.69). Lance Armstrong, quando travava a mais dura etapa da sua vida, mostrava-se convicto de que “A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre”. (Jenkins, S., 2004).O perfil de Lance Armstrong assenta no retrato robot do individuo resiliente (seja qual for a sua idade) traçado por Cyrulnik (1998) – Anaut Marie, (2005, p.64), e que é composto pelas seguintes características:

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PERFIL DO INDIVIDUO RESILIENTE

Q.I. elevado
"Se você se preocupasse em cair da bicicleta, você nunca a controlaria”

É capaz de ser autónomo e eficaz nas relações com o meio
"A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura sempre”

Tem a percepção do seu próprio valor
"Quando eu estava doente, eu não queria morrer. Quando eu compito eu não quero perder. Morrer e perder é a mesma coisa."

Tem boas capacidades de adaptação relacional e de empatia
"O melhor que posso ter é um trabalho que adoro e que me possibilita falar sobre outras coisas, coisas como a luta contra o cancro. Todos devíamos ter tanta sorte”.

É capaz de prever e planificar
“O Tempo é limitado, pelo que o melhor é acordar fresco em cada manhã, sabendo que tenho apenas uma hipótese de viver este dia e orientar todos os meus dias para uma vida de acção e propósito."
Tem sentido de humor
“Sou Lance Armstrong e posso lhe dar cabo do canastro numa bicicleta a qualquer momento” - .esta foi a resposta dada ao médico quando o ciclista despertava da anestesia e lhe perguntou o nome depois de lhe ser retirado o tumor do cérebro, em 1996”.

Lance Armstrong em termos físicos é uma “força da natureza”, pois a sua capacidade pulmonar é o dobro da média e o seu coração 1/3 maior que o normal. Segundo Maciaux (2001) - Barlach, Lisete, (2005, p.33). “se a genética e a biologia determinam os limites do possível, resta um alto grau de liberdade e uma margem de manobra para a intervenção de recursos pessoais e profissionais. A cada instante a resiliência resulta da interacção entre o próprio individuo e o meio que o cerca, o passado do momento em termos políticos, económicos, sociais e humanos”. Para Lance Armstrong  “as maiores batalhas da sua vida não foram os mais de 3.000 quilómetros de cada Volta a França, as etapas de 6 horas em cima da bicicleta sob o sol e a chuva, as incríveis escaladas aos Alpes e Pirinéus ou os alucinantes contra-relógios a mais de 50 kms/h; foram as cirurgias (incluindo uma ao cérebro), as longas sessões de quimioterapia, os dolorosos efeitos colaterais do tratamento, a longa recuperação”. Foi esta batalha que o tornou no campeão para a eternidade.


Para Frankl, (2006, p.72),  “muitas vezes é justamente a situação exterior extremamente difícil que dá à pessoa a oportunidade de crescer interiormente para além de si mesma”. O facto de ter sido diagnosticado um cancro já em fase avançada, transformou toda a vida de Lance Armstrong numa sucessão de acontecimentos negativos. A equipa francesa Cofidis rescindiu o contrato que tinha com o ciclista que se viu obrigado a vender alguns bens para pagar os tratamentos.
Segundo Frankl (2006, p.80) “a vida humana tem sentido sempre e em todas as circunstâncias”. Aos 25 anos, numa conferência de imprensa, Lance declarou que sofria de doença grave. Um ano mais tarde os médicos apontavam para apenas de 40% de probabilidades de sobrevivência, mas Lance não desistiu, e anunciou que iria regressar...

E regressou, como o próprio admite, “aquele cancro foi a melhor coisa” que lhe aconteceu, pois despertou-o para a “importância de ser saudável, o facto de ninguém ser imortal, a felicidade que é ter amigos e família que se preocupam connosco e uma das coisas mais importantes, o ser solidário”.
Pode-se concluir que Lance Armstrong, é mais do que um mito, é um sobrevivente que veste a camisola amarela da resiliência, liderando actualmente o pelotão na corrida contra o cancro.
 
CONCLUSÃO

«Quando nasce, o homem é fraco e flexível. Quando morre, é forte e rígido. A firmeza e a resistência são sinais de morte. A fraqueza e a flexibilidade, manifestações de vida» (Lao Tsé, Tão Te Ching).
O novo milénio está gerar um homem com um perfil diferente daquele que o pai do Taoísmo traçou. É quase certo que vai nascer fraco e flexível, também vai morrer forte e rígido, mas a firmeza e resistência serão sinais de vida, com ajuda da fraqueza e da flexibilidade...
O homem encetou uma busca interior motivado pelas dificuldades do mundo e procura agora dar um sentido positivo à sua vida, consciente da sua fragilidade num universo tão complexo. Os tempos são difíceis, o egoísmo impera, o consumismo convence, o downsizing faz desesperar e a depressão é a sua sombra. Mas um pouco por toda a sociedade, em diversos sectores, há uma nova equipa que entra na corrida e “veste a camisola” do Pensamento Positivo. É uma geração “ com auto-confiança, esperança, optimismo e resiliência.


Quanto ao desporto terá que seguir a máxima da Nike: “Just do It”, porque são várias as áreas de intervenção onde o Pensamento Positivo pode ter um papel determinante.
É altura de seguir o exemplo de Lance Armstrong, acelerar e deixar para trás o pelotão do negativismo. Para vencer esta etapa temos que “vestir” a camisola amarela do Valor do Capital Psicológico Positivo e tentar vencer o Tour do Positivismo
 
Referências

Anaut, Marie. (2005). a resiliência – ultrapassar os traumatismos. 1ª edição. Climepsi Editores.
Barlach, Lisete. (2005). O que é a resiliência humana. Uma Contribuição para a Construção do Conceito. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Psicologia da Universidade de S. Paulo
Cunha. M. P., Lopes. M. P. (2005). Mindpower: O Valor do Capital Psicológico Positivo.
Frankl, V. E.. (2006). Em Busca do Sentido: um psicólogo no campo de concentração. 23 Edição. Editores Sinodal.
Jenkins, S. (2004) – Lance Armstrong - Vontade de Vencer, a minha corrida contra o cancro. Edições 70
Oliveira, J. B. (2004). Psicologia Positiva. 1ª Edição, Edições Asa.
Palmeira. A. L. (2004) O meu atleta lesionou-se? Então vamos lá ao trabalho: Sugestões da Psicologia da Lesão no Desporto. Documento Apresentado à Revista Treino Desportivo, Novembro.
Pinheiro, D. P. N. (2004). A Resiliência em Discussão. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 9, n. 1.
Seligman, M. E. P., Tracy, A, Peterson,C. (2005). Positive Psychology Progress. American Psychologist.
Yunes, M. A. M. (2003). Psicologia Positiva e Resiliência: O Foco no Individuo e na Família. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 8, num. Esp.

Documentos on-line
http://www.fmh.utl.pt/Labpsicologia/ensino/mestrados/Resumos/APalmeira.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lance_Armstrong
http://www.livestrong.org/

Fotos on-line
http://www.fhcrc.org/.../img/1084_lance_armstrong.jpg
http://www.derekstubbs.com/wp/images/armstrong.jpg

 

 

 

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