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Na integra
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Written by Miguel Tente - Trabalho Psicologia Positiva - Escola Superior de Rio Maior
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INDICE INTRODUÇÃO 1 PSICOLOGIA POSITIVA 1.1. Conceito 1.2. Enquadramento desportivo 1.3. Enquadramento organizacional 2 GESTÃO DO CAPITAL PSICOLÓGICO POSITIVO 2.1. Auto - confiança 2.2. Esperança 2.3. Optimismo 3 RESILIÊNCIA OU LIVESTRONG CONCLUSÃO REFERÊNCIAS
Este trabalho visa a abordagem do tema Psicologia Positiva. Numa fase inicial o trabalho irá incidir sobre o tema de Psicologia Positiva, aprofundando o seu conceito, nomeadamente, num enquadramento desportivo e organizacional.Posteriormente, haverá uma abordagem à importância da gestão do Capital Psicológico Positivo.Feita esta abordagem ao conceito, serão analisados diferentes parâmetros da gestão do Capital Psicológico Positivo e características próprias com destaque para a Resiliência. A concluir será descrito um caso do desporto, mais propriamente do ciclista Lance Armstrong, que irá enquadrar os conceitos acima referidos. 1.1. Conceito Nasceu uma nova psicologia: “seja positivo com a vida”. Este, bem que podia ser o slogan promocional a circular no mundo do desporto a par do fair-play, num claro objectivo de “ensinar às novas gerações a resiliência, a esperança, o optimismo, para as tornar resistentes à depressão e capazes de levar uma vida mais feliz e produtiva”, como defende o psicólogo Martin Seligman, apontado como o mentor da Psicologia Positiva. No entanto Seligman e Csikszentmihalyi alegam que a “psicologia positiva não é uma ideia nova”, mas “certamente hoje deve tomar novo alento e novo desenvolvimento, mesmo por razões históricas, pois a humanidade enfrenta novos riscos e desafios e, apesar dos grandes progressos científicos-tecnológicos, também novas e graves ameaças (degradação ecológica, doenças graves como a Sida ou o cancro, terrorismo, guerras, etc) a assaltam”. (José Barros de Oliveira, 2004, p.9). Martin Seligman, presidente da American Psychological Association, publicou vários artigos mensais no ano de 1998, alertando para a necessidade de mudança em relação às preocupações da Psicologia. Esta ciência deveria construir uma “visão de ser humano com ênfase em aspectos virtuosos”. Este movimento intitulado Psicologia Positiva assume formalmente esta nova posição na edição especial de 2001, do periódico American Psychologist, como uma “tentativa de levar os psicólogos contemporâneos a adoptarem uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e das capacidades humanas”. (Sheldon & King, 2001, p. 216).
No desporto, tal como na vida, as exigências são cada vez maiores e não basta a preocupação de criar camisolas “inteligentes” que dão a informação sobre o gasto energético do atleta, ou chuteiras anatómicas, ou bicicletas aerodinâmicas. Alguém vai ter que provar a utilidade destes avanços tecnológicos e esse será o ser humano, que como ainda não tem nenhum chip programado implantado no cérebro, terá que recorrer às suas emoções positivas para o conseguir. Quando nasce um conceito novo, é porque, em princípio há uma necessidade urgente de se alterar e melhorar algo e se há alguma disciplina que tem a capacidade de ajudar o ser humano de uma forma directa, essa é a psicologia, que pode contribuir no futuro com uma “nova ciência da fortaleza e da resiliência”. (Seligman e Csiksentmihalyi, 2000, p. 8). A Psicologia Positiva conquistou o seu espaço como um ramo recente da psicologia que busca compreender os processos subjacentes às qualidades e emoções positivas do ser humano. (Cunha, M.P., 2006, p. 87). Esta nova corrente está no sentido oposto da psicologia clássica, que focaliza a sua acção sobre a compreensão e tratamento de patologias. Seligman e Csiksentmihalyi, salvaguardam que “chegou o tempo da Psicologia Positiva. A nossa mensagem pretende relembrar ao nosso campo que a psicologia não é apenas o estudo da patologia, da fraqueza e da perda. É também o estudo da fortaleza e da virtude. O tratamento não passa apenas pelo conserto do que está quebrado, mas pelo cuidar daquilo que é melhor”. (Cunha, M.P., 2006, p. 88).
1.2. Enquadramento desportivo O desporto é um fenómeno social e um exemplo dado muitas das vezes às gerações mais novas, como uma “escola de vida”, de valores, de princípios, de ética, de Olimpismo, mas nós sabemos que nem sempre é assim. O desporto moderno está em crise, muito por culpa de interesses económicos, que entraram em campo para ter resultados e fugir ao controlo anti-ético, seja no desporto profissional, seja no desporto de educação. O mesmo será dizer que está em crescendo uma indústria de entretenimento, virada para o lucro. Um grande jogo de monopólio, em que as organizações desportivas, estabelecem jogadas perigosas com corpos estranhos ao desporto, transformando os atletas em meras peças que giram de casa em casa à procura de lucro. Os atletas, como parte mais visível deste jogo dentro das organizações, vêm-se obrigados, para atingir as metas exigidas, a ter que potencializar os seus recursos cada vez mais de forma positiva. Por exemplo, um dos maiores problemas com que se debate qualquer atleta são as lesões, tendo em conta as consequências físicas e psicológicas que daí resultam. Esta é sem dúvida uma área onde a Psicologia Positiva pode ter um papel determinante. O pensamento positivo pode mesmo ser a “chave da recuperação”, como confirma António Labisa Palmeira (mestre em psicologia do desporto): “Os elementos que influenciam o processo de reabilitação derivam da interacção entre a resposta cognitiva (o que o atleta pensa), emocionais (o que o atleta sente) e comportamentais (o que o atleta faz). Tendo como cenário base os factores pessoais – onde entram as atitudes – e situacionais (por exemplo, onde, quando e como ocorreu a lesão e as influências dos treinadores e colegas) nota-se que é na resposta cognitiva que as atitudes terão maior peso, pois os atletas que recuperam melhor são aqueles que estabelecem objectivos, que criam expectativas realistas para a sua reabilitação, que conseguem arquitectar um esquema de pensamentos motivantes. No fundo, recuperam melhor aqueles que melhor percepcionam a sua situação actual. Por exemplo, se um atleta não consegue definir um objectivo do tipo: dobrar a perna a 90 graus daqui a 15 dias terá maiores dificuldades em se manter motivado para os processos, por vezes dolorosos, da reabilitação. Outro exemplo é o do atleta que, embora recuperado fisicamente, mantém a ideia de que ainda está lesionado e tem grandes problemas em executar um gesto que, em termos médicos, lhe seria perfeitamente possível (o medo da reincidência da lesão é um dos elementos mais difíceis de ultrapassar)”. Este psicólogo do desporto investigou prospectivamente, no período de uma época desportiva, os efeitos dos eventos de vida, aptidões de confronto e personalidade na previsão e reabilitação das lesões desportivas em 57 atletas de elite (nível profissional e, ou selecção nacional), conforme teorizado nos modelos de Williams e Andersen (1998) e Wiese-Bjornstal e A. Smith (1993, 1998). As conclusões confirmaram a influência que a Psicologia Positiva pode ter no desporto: “Os eventos de vida moderaram as lesões. 0 aumento dos eventos de vida negativos (EVN) esteve associado a maiores taxa de lesão, enquanto que o aumento dos eventos de vida positivos (EVP) associou-se a menores taxas de lesão”. 1.3. Enquadramento organizacional Também no comportamento organizacional a psicologia tem focalizado a sua atenção no tratamento de patologias, quebras de produção, absentismo, rotatividade… entre outras. No entanto, a nova vaga da Psicologia Positiva introduziu no ambiente de trabalho outros conceitos como: o optimismo, habilidades individuais, virtudes, ou mesmo será dizer, potencializando o que de melhor as pessoas têm. A Psicologia Positiva já apresenta resultados práticos sobre as organizações, pois como escreveu Arménio Rego (professor universitário), num artigo publicado no Diário de Notícias (11.08.06), “nas organizações em que vigora a gestão positiva há equilíbrio entre as necessidades económicas e as práticas de um colectivo social saudável: encorajamento aos mais fracos, recompensa da lealdade, estímulo da competição justa, gestão apropriada do stress. A gestão positiva origina, pois, organizações com dinâmicas sociais saudáveis. Nestas é aplicado um princípio básico do comportamento organizacional positivo: as forças e as capacidades psicológicas positivas podem ser geridas em prol do desempenho organizacional e da realização pessoal dos colaboradores. A abordagem positiva poderá, pois, ser usada como alavanca para estimular uma forma construtiva de (re)pensar a gestão. Incentivar virtudes, respeitar a dignidade humana, prezar a excelência, velar pela busca de felicidade, promover a cooperação e a confiança - eis aspectos que poderão gerar consequências desejáveis nos indivíduos e nas organizações. Os efeitos da positividade organizacional podem mesmo transcorrer para o exterior - gerando impacto positivo na satisfação dos clientes e na comunidade circundante”.
PsyCap – Psycological Capabilities – foi assim que Fred Luthans, psicólogo norte-americano, designou as características positivas como capacidades psicológicas e das quais fazem parte a esperança, o optimismo, a auto-confiança e a resiliência (Cunha. M. P., Lopes. M. P., 2005, p.1). As capacidades psicológicas positivas dos indivíduos têm sido alvo de apurados estudos, estudos estes que têm demonstrado que quanto mais eles possuem estas capacidades psicológicas, mais elevado é o desempenho dos colaboradores (Luthans, Avolio, Walumbwa, & Li, 2005). Existe já uma clara preocupação em perceber, desenvolver e aplicar estas características positivas ao mundo da gestão e mais propriamente aos gestores. “Estes deverão ter como prioridade, estimular as qualidades positivas que as pessoas possuem (aquilo em que realmente são boas) e ajudá-las a encontrar os nichos que fomentem a auto-realização através da utilização dessas forças” (Seligman e Csiksentmihalyi, 2000) – (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.2). São vários os estudos e teorias que têm procurado dinamizar este novo conceito no mundo da gestão, como é o caso da «Teoria do Alargamento e Construção», de Barbara Fredrickson. Com base em dados empíricos esta teoria defende que “em vez de nos ajudarem a resolver problemas de perigo eminente como fazem as emoções negativas, as emoções positivas ajudam a resolver problemas relacionados com o crescimento e o desenvolvimento pessoal”. Para Fredrickson as “emoções positivas alargam o estado mental momentâneo dos indivíduos e, como tal, ajudam a construir recursos pessoais duradouros” – (Cunha. M. P., Lopes. M. P.,2005, p.3).
Também Luthans procurou aplicar os seus estudos numa lógica de gestão, ao defender que as capacidades psicológicas positivas podem ser vistas como capital psicológico, capaz de se traduzir em valor acrescentado para as organizações (Luthans & Youssef, 2004) – (Cunha. M. P., Lopes. M. P, 2005, p.3). O capital psicológico constitui “um factor psicológico central de positividade em geral e de obediência aos critérios do comportamento organizacional positivo, em particular, que vai além do capital humano (conhecimento, capacidades e competências derivadas da educação, experiência, e destrezas – skills - específicas identificáveis) e do capital social (contactos e laços que os membros de uma organização estabelecem entre si e com o mundo exterior), acrescentando-lhes vantagem competitiva através do investimento/desenvolvimento de quem se é.” (Luthans e Youssef, 2005) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. , 2005, p.4). Auto-confiança, esperança, optimismo e resiliência são algumas das características da psicologia positiva e que nos últimos anos têm sido alvo de estudos aprofundados e definidos como critérios pelo comportamento organizacional. (Luthans, Avolio, Walumbwa, & Li, 2005; Luthans & Youssef, 2004).
De seguida iremos definir os três primeiros conceitos acima referidos, articulando-os com partes de um artigo de índole desportiva, intitulado «O “Pensamento Positivo” de Scolari», publicado por FIFAworld.com a 30 de Junho de 2006. No que respeita ao quarto conceito, Resiliência, iremos desenvolvê-lo, no capítulo seguinte.
2.1. Auto - confiança Convicção que uma pessoa tem sobre o quanto consegue mobilizar a sua própria motivação, os seus recursos cognitivos, e os cursos de acção necessários à realização de uma tarefa especifica num determinado contexto (Luthans & Avolio, 2003) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.5) . São vários os estudos que demonstraram que auto-confiança/auto-eficácia influencia positivamente o desempenho no local de trabalho, mais até do que o estabelecimentos de objectivos, a presença de feedback, e do que a própria satisfação com o trabalho (Stajkovic & Luthans, 1997) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). “Acreditem! Confiem que estes jogadores vão fazer o melhor e que amanhã (sábado) vão estar imbuídos desses espírito. É preciso pensamento positivo. É assim que nós vamos dar o passo que todos desejamos”. 2.2. Esperança Capacidade para definir objectivos, encontrar forma dos alcançar e motivar-se para isso (Snyder, 2000) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). Podemos assim sistematizar dois grandes vectores desta capacidade: Willpower (o quanto se acredita ser capaz de alcançar determinados objectivos) e o Waypower (o quanto se é capaz de formular planos eficazes para os alcançar) – (Snyder, Sympson, Ybasco, Borders, Babyak & Higgins, 1996) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). “Os jogadores sabem que este é um dos jogos mais importantes do futebol português e querem a oportunidade de estar entre os quatro primeiros, mas o que eu podia cobrar já cobrei. Não posso, não devo, não vou exigir nada mais do que estão fazendo. Se não eliminarmos a Inglaterra é porque eles estiveram melhor”. 2.3. Optimismo
Expectativa generalizada de que irão acontecer coisas boas (Scheir e Carver, 2003) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). Indivíduos mais optimistas são mais facilmente motiváveis para o trabalho, têm maiores níveis de aspiração e objectivos mais ambiciosos, apresentam uma maior perseverança face a obstáculos e dificuldades e encontram-se mais satisfeitos com o trabalho (Luthans, 2002) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.7). Mesmo que as condições não garantam um determinado resultado, as crenças positivas podem traduzir-se em resultados positivos pela mera acção de profecias auto-confirmatórias. (Peterson & Chang, 2003) - (Cunha. M. P., Lopes. M. P. 2005, p.6). “Confio no ditado popular (ndr: não há duas sem três), mas não sei se é verdade. Temos de acreditar, pois tenho feito o meu trabalho. Sou um treinador que gosta de resultados. Não sou mentiroso, que diz que quero ganhar lindamente, jogar lindamente. Quero resultados. E quem jogou lindo está em casa. Não digo que não vale a pena dar espectáculo. Se puder ter resultados e jogar bonito, ok. Se não tiver, estou desempregado. Vivo de resultados”.
“Resiliência é um conceito fácil de entender mas difícil de definir e impossível de ser medido ou calculado exaustivamente” (Rodriguez, 2005) - Barlach, Lisete, (2005, p.6). Isto porque o ser humano é “volitivo”. “O que é então o ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é. É o ser que inventou as câmaras de gás, mas é também aquele que entrou nas câmaras de gás, erecto, com uma oração nos lábios”. Frankl, V. E.. (2006). “Resiliência, diremos que é a capacidade de sair vencedor de uma prova que poderia ter sido traumática, com uma força renovada”. (Anaut, Marie, 2005). O ciclista Lance Armstrong é a prova viva disso mesmo: depois de vencer um cancro, conseguiu uma força renovada, para conquistar por sete vezes consecutivas a prova mais importante do ciclismo mundial, a Volta a França em Bicicleta e criar a Fundação Lance Armstrong – LiveStrong -, que ajuda pessoas, nomeadamente crianças que lutam contra o cancro - http://www.livestrong.org/. Segundo a definição de Luthar e colaboradores (2000) - Barlach, Lisete. (2005, p.27), a resiliência “refere-se a um processo dinâmico que compreende a adaptação positiva no quadro de uma adversidade significativa” . E este quadro de adversidade começou bem cedo na vida de Lance Armstrong. Este ciclista norte-americano nasceu a 18 de Setembro de 1971, na cidade de Dallas, com o nome de Lance Edward Gunderson. A sua mãe tinha apenas 17 anos e o apelido Armstrong foi adoptado quando Linda se separou de Edward Gunderson e casou com Terry Armstrong. Na autobiografia de Lance Armstrong "It’s Not About the Bike", fala de um homem que utilizava uma pá de madeira para bater no jovem Armstrong. Após o pai os ter abandonado, Linda teve dois e três empregos para sustentar Lance e o seu apoio foi determinante para que este entrasse no mundo do desporto.
Lance Armstrong parece ter herdado da sua mãe a capacidade positiva para ultrapassar as fases mais complicadas da sua vida, cumprindo como máxima um conselho que ela lhe dava para motivá-lo e como está retratado na sua autobiografia: "faz de cada negativo um positivo" . A Resiliência é frequentemente referida por processos que explicam a “superação” de crises e adversidades em indivíduos, grupos e organizações (Yunes & Szymanski, 2001, Yunes, 2001, Tavares, 2001) – Yunes, M. A. M., (2003, p.76) . Ao ter conhecimento da doença, um cancro nos testículos em estado avançado, com metástases espalhadas pelos pulmões e cérebro, Lance Armstrong deixou o aviso ao seu mais recente adversário: “Enganaste-te na pessoa ao escolheres um corpo para viver, cometeste um erro porque escolheste o meu”. Jenkins, S. (2004) “O ser humano resiliente é aquele que tem habilidade para reconhecer a dor, perceber seu sentido e tolerá-la até resolver os conflitos de forma construtiva” (Flach, 1991) - Pinheiro, D. P. N., (2004, p.69). Lance Armstrong, quando travava a mais dura etapa da sua vida, mostrava-se convicto de que “A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre”. (Jenkins, S., 2004).O perfil de Lance Armstrong assenta no retrato robot do individuo resiliente (seja qual for a sua idade) traçado por Cyrulnik (1998) – Anaut Marie, (2005, p.64), e que é composto pelas seguintes características:
PERFIL DO INDIVIDUO RESILIENTE "Se você se preocupasse em cair da bicicleta, você nunca a controlaria”
"A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura sempre”
"Quando eu estava doente, eu não queria morrer. Quando eu compito eu não quero perder. Morrer e perder é a mesma coisa."
"O melhor que posso ter é um trabalho que adoro e que me possibilita falar sobre outras coisas, coisas como a luta contra o cancro. Todos devíamos ter tanta sorte”.
“O Tempo é limitado, pelo que o melhor é acordar fresco em cada manhã, sabendo que tenho apenas uma hipótese de viver este dia e orientar todos os meus dias para uma vida de acção e propósito."
“Sou Lance Armstrong e posso lhe dar cabo do canastro numa bicicleta a qualquer momento” - .esta foi a resposta dada ao médico quando o ciclista despertava da anestesia e lhe perguntou o nome depois de lhe ser retirado o tumor do cérebro, em 1996”.
Lance Armstrong em termos físicos é uma “força da natureza”, pois a sua capacidade pulmonar é o dobro da média e o seu coração 1/3 maior que o normal. Segundo Maciaux (2001) - Barlach, Lisete, (2005, p.33). “se a genética e a biologia determinam os limites do possível, resta um alto grau de liberdade e uma margem de manobra para a intervenção de recursos pessoais e profissionais. A cada instante a resiliência resulta da interacção entre o próprio individuo e o meio que o cerca, o passado do momento em termos políticos, económicos, sociais e humanos”. Para Lance Armstrong “as maiores batalhas da sua vida não foram os mais de 3.000 quilómetros de cada Volta a França, as etapas de 6 horas em cima da bicicleta sob o sol e a chuva, as incríveis escaladas aos Alpes e Pirinéus ou os alucinantes contra-relógios a mais de 50 kms/h; foram as cirurgias (incluindo uma ao cérebro), as longas sessões de quimioterapia, os dolorosos efeitos colaterais do tratamento, a longa recuperação”. Foi esta batalha que o tornou no campeão para a eternidade. Para Frankl, (2006, p.72), “muitas vezes é justamente a situação exterior extremamente difícil que dá à pessoa a oportunidade de crescer interiormente para além de si mesma”. O facto de ter sido diagnosticado um cancro já em fase avançada, transformou toda a vida de Lance Armstrong numa sucessão de acontecimentos negativos. A equipa francesa Cofidis rescindiu o contrato que tinha com o ciclista que se viu obrigado a vender alguns bens para pagar os tratamentos. Segundo Frankl (2006, p.80) “a vida humana tem sentido sempre e em todas as circunstâncias”. Aos 25 anos, numa conferência de imprensa, Lance declarou que sofria de doença grave. Um ano mais tarde os médicos apontavam para apenas de 40% de probabilidades de sobrevivência, mas Lance não desistiu, e anunciou que iria regressar...
E regressou, como o próprio admite, “aquele cancro foi a melhor coisa” que lhe aconteceu, pois despertou-o para a “importância de ser saudável, o facto de ninguém ser imortal, a felicidade que é ter amigos e família que se preocupam connosco e uma das coisas mais importantes, o ser solidário”. Pode-se concluir que Lance Armstrong, é mais do que um mito, é um sobrevivente que veste a camisola amarela da resiliência, liderando actualmente o pelotão na corrida contra o cancro. CONCLUSÃO «Quando nasce, o homem é fraco e flexível. Quando morre, é forte e rígido. A firmeza e a resistência são sinais de morte. A fraqueza e a flexibilidade, manifestações de vida» (Lao Tsé, Tão Te Ching). O novo milénio está gerar um homem com um perfil diferente daquele que o pai do Taoísmo traçou. É quase certo que vai nascer fraco e flexível, também vai morrer forte e rígido, mas a firmeza e resistência serão sinais de vida, com ajuda da fraqueza e da flexibilidade... O homem encetou uma busca interior motivado pelas dificuldades do mundo e procura agora dar um sentido positivo à sua vida, consciente da sua fragilidade num universo tão complexo. Os tempos são difíceis, o egoísmo impera, o consumismo convence, o downsizing faz desesperar e a depressão é a sua sombra. Mas um pouco por toda a sociedade, em diversos sectores, há uma nova equipa que entra na corrida e “veste a camisola” do Pensamento Positivo. É uma geração “ com auto-confiança, esperança, optimismo e resiliência. Quanto ao desporto terá que seguir a máxima da Nike: “Just do It”, porque são várias as áreas de intervenção onde o Pensamento Positivo pode ter um papel determinante. É altura de seguir o exemplo de Lance Armstrong, acelerar e deixar para trás o pelotão do negativismo. Para vencer esta etapa temos que “vestir” a camisola amarela do Valor do Capital Psicológico Positivo e tentar vencer o Tour do Positivismo Referências
Anaut, Marie. (2005). a resiliência – ultrapassar os traumatismos. 1ª edição. Climepsi Editores. Barlach, Lisete. (2005). O que é a resiliência humana. Uma Contribuição para a Construção do Conceito. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Psicologia da Universidade de S. Paulo Cunha. M. P., Lopes. M. P. (2005). Mindpower: O Valor do Capital Psicológico Positivo. Frankl, V. E.. (2006). Em Busca do Sentido: um psicólogo no campo de concentração. 23 Edição. Editores Sinodal. Jenkins, S. (2004) – Lance Armstrong - Vontade de Vencer, a minha corrida contra o cancro. Edições 70 Oliveira, J. B. (2004). Psicologia Positiva. 1ª Edição, Edições Asa. Palmeira. A. L. (2004) O meu atleta lesionou-se? Então vamos lá ao trabalho: Sugestões da Psicologia da Lesão no Desporto. Documento Apresentado à Revista Treino Desportivo, Novembro. Pinheiro, D. P. N. (2004). A Resiliência em Discussão. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 9, n. 1. Seligman, M. E. P., Tracy, A, Peterson,C. (2005). Positive Psychology Progress. American Psychologist. Yunes, M. A. M. (2003). Psicologia Positiva e Resiliência: O Foco no Individuo e na Família. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 8, num. Esp. Documentos on-line http://www.fmh.utl.pt/Labpsicologia/ensino/mestrados/Resumos/APalmeira.html http://pt.wikipedia.org/wiki/Lance_Armstrong http://www.livestrong.org/ Fotos on-line http://www.fhcrc.org/.../img/1084_lance_armstrong.jpg http://www.derekstubbs.com/wp/images/armstrong.jpg |
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