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Na integra
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Contente na vida, com Tente no desporto |
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Written by Jorge Sales – Coordenador do Desporto do Jornal Diário de Coimbra
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Antes quebrar que torcer é uma das facetas características do Luís Miguel, de seu apelido Tente, um nome que lhe serve que nem uma luva, pela audácia e entusiasmo com que enfrenta qualquer desafio. Como colega de trabalho numa profissão tão complexa como o jornalismo desportivo sempre soube que podia contar com ele para tudo o que fosse necessário. Uma capacidade de trabalho notável, uma disponibilidade total, uma curiosidade que o levava a aprofundar a mais simples das notícias e a imparcialidade possível para quem vive as coisas com intensidade, fizeram com que nutrisse por ele uma grande admiração.
Se isto ajudou a vê-lo como algo mais do que um mero colega de trabalho, o seu comportamento fora da “nossa” redacção deu-me o privilégio de com ele privar como um verdadeiro amigo. De trato afável e humor acicatado, as conversas desenrolavam-se com facilidade e os temas eram inesgotáveis, pois tudo o interessava. A música sempre o acompanhou. Fã incondicional de Bruce Springsteen, o Miguel não se limitou a ouvir o que os outros compunham. Muitas foram as canções que lhe ouvi tocar, com letra e música de sua autoria. Se as notas musicais demonstram a sua faceta artística, as letras deixaram-me boquiaberto com a profundidade da visão com que fala do mundo que o rodeia.
No ténis e no bodyboard passámos muito do nosso tempo livre. Se dentro de água nem tentava acompanhar a sua temeridade, já nos courts, pensava eu, teria oportunidade para ver como reagia perante a derrota. Aí vinha à tona o espírito competitivo de quem não gosta de perder nem a feijões e era ver aquelas pernas a correr de um lado para o outro. Para ele não havia bolas perdidas, era tudo questão de ser ainda mais rápido. E apesar da diferença de experiência jogar a meu favor, poucos jogos depois de se ter iniciado, esse “handicap” deixou de ter qualquer influência.
Entretanto a música, o bodyboard e o ténis passaram para segundo plano com as novas obrigações de pai “babado”, pois com a “mania” da rapidez, arranjou logo um casal de gémeos e os “hobbies” tiveram que ser postos de lado. As horas que não eram ocupadas pelo trabalho ou pela família, passaram a ter um destino único: o futsal.
Falar sobre a ligação do Tente ao futsal não cabe neste curto espaço e para isso o seu curriculum é elucidativo. Mas como no melhor pano cai a nódoa aí encontrei uma lacuna que para mim é imperdoável. A memorável vitória que a nossa equipa (a do Diário de Coimbra) obteve no primeiro e único – os adversários nem querem ouvir falar em repeti-lo – torneio de jornalistas de Coimbra.
Com o Luís Miguel no campo, a fazer a cabeça em água a quem lhe surgia pela frente, e eu no banco, a ver se me lembrava das instruções que ele me tinha dado, ninguém nos conseguiu ganhar. E até vencemos a final nas grandes penalidades com o Carlos Sousa a esmurrar os joelhos para defender a nossa baliza e o Zé Braga a tentar ocupar o espaço todo da rede da Rádio Universidade.
Esta pequena história só tem aqui cabimento porque foi nessa altura que me apercebi do muito que o Tente tinha para dar como treinador de futsal. Desde a busca incessante de informação (através da internet ou pedindo o envio de livros do Brasil e de Espanha), à elaboração de inúmeras alternativas para as situações de jogo, o Tente vivia tudo com uma enorme intensidade.
Poderia ter atingido já outros patamares, mas continua fiel aos seus princípios e isso, hoje em dia, é que vale a pena apreciar. Apresentar com objectividade o percurso do Luís Miguel Tente no futsal, deveria ter sido o propósito deste texto. Mas, como é fácil constatar, nem sempre um jornalista consegue pôr de lado a emoção quando escreve sobre alguém que lhe é próximo. E, verdade seja dita, as suas capacidades certamente serão fáceis de reconhecer a quem visitar este “site”. |
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