Futsal...tempo

Campo Virtual

Introdução

Na integra

Depois da escala em Madrid, seguiu-se a viagem para o Brasil mais propriamente para Jaraguá do Sul, para o estágio da equipa de futsal da Malwee, uma das maiores referências da modalidade a nível mundial e um reencontro com o enorme treinador Porf. Fernando Ferretti. Uma experiência inesquecível não só pelo nível de ensinamento, quase sempre prático e com alguns dos melhores joghadores mundiais, mas pela troca de ideias e amabilidade. Prof. Fred Antunes (treinador-redes da Malwee e selecção nacional); João Romano (Preparador Fisíco também da Selecção Brasileira) Marco Moraes, Renato Vieira, Fio (supervisor do Sub-20) são apenas alguns dos nomes neste inicio de estágio que 

 

 

 

 

 

Depois de terminado o ciclo com as cores do futsal do S. João e que culminou com a subida de divisão e o título de vice-campeão nacional da III Divisão, Miguel Tente seguiu viagem para o Brasil, juntamente com Nuno Martinho, que fazia parte também da equipa técnica, para estar presente no estágio da equipa brasileira de futsal Malwee. A equipa de Jaraguá do Sul, orientada por Fernando Ferretti, é considerada como uma das maiores referências do fuitsal mundial e onde actuam alguns dos melhores jogadores da actualidade e da selecção brasileira, como Falcão, Lenísio ou Tiago.
Nesta longa viagem os respectivos técnicos fizeram escala também em Madrid para sentir o ambiente do novo clube de José Mourinho...  

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

Tendo em conta que este é um projecto pedagógico na Escola de Futsal do Benfica a educação psicomotora é a base do processo de aprendizagem, tendo como objectivo o desenvolvimento geral das capacidades técnicas e tácticas. Mas para que a criança aprenda gestos técnicos tem que aprender os movimentos básicos, como correr, saltar, etc.

Aliado à aprendizagem da técnica individual estão fundamentos como o equilíbrio, o ritmo, a coordenação, noções de espaço e tempo, entre outras. Mas não nos devemos esquecer que as crianças são seres pensantes e a aprendizagem motora tem que ser vista como uma ligação entre o pensamento e a acção. Sendo assim pretende-se através do trabalho de campo um desenvolvimento das suas capacidades cognitivas, de percepção, antecipação e tomada de decisões.

 

 As actividades do treino tentam retratar as situações problema que o aluno precisa resolver durante o jogo, como também fornecer, paralelamente, elementos racionais que orientem o processo de tomada de decisões, de forma que a escolha do jogador recaia sobre as jogadas consideradas mais adequadas do ponto de vista táctico.

Em relação ao modelo situacional, optou-se por criar jogos modificados que coloquem a criança diante de situações problema de jogo estruturais: mano-a-mano (1X1); inferioridade numérica (1X2); superioridade numérica (2X1); equilíbrio numérico com apoio de um atacante (1+2X2); equilíbrio numérico com recuperação de um defensor (2X2+1) e assim por diante.

 Estimula-se, dessa maneira, o aluno a ter autonomia para analisar na prática as alternativas possíveis e escolher a que julgar mais conveniente (tomada de decisão) descobrindo os recursos tácticos disponíveis para construção das jogadas.

 

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A época de 2008/2009 foi marcada pela frustração, a tristeza , desilusão mas no fundo do dever cumprido, de uma equipa que realizou uma grande época para cumprir um sonho de muitos anos de uma localidade e de muita gente que fazem do S. João a sua bandeira. Foi demasiado duro para o que se viveu, mas a equipa do S. João voltou a acreditar que com trabalho, sofrimento e abnegação era capaz de voltar a acreditar e esta época 2009/2010... 

 

 
 

O site Tente Futsal está de regresso com um novo figurino. Apesar de alguns problemas técnicos que levaram à suspensão do mesmo, decidimos reactivar este espaço face às solicitações dos inúmeros usuários que partilhavam e contribuíam para o desenvolvimento do mesmo. Apesar de uma aparência renovada, os conteúdos foram respeitados, como reconhecimento por aqueles, que desde a 1ª edição, decidiram através das suas experiências partilhar os conhecimentos adquiridos. Este desafio, que teve uma maior aceitação além fronteiras, originou a que o site contenha inúmeras referências da realidade brasileira na modalidade. Como ninguém é “dono da razão”, nem da “bola de jogo”, este é um espaço de partilha numa procura de um melhor futsal. Seja bem vindo...

 
Representar o Sport Lisboa e Benfica (SLB) é um sonho de muitas crianças que, a partir de Setembro, será facilitado, em particular na região de Coimbra. Nuno Martinho e Miguel Tente serão os responsáveis pela mais recente escolinha de futsal do Benfica, que terá como sede a cidade do Mondego.

Nuno Martinho revela que «os objectivos a atingir e pensando que o mais importante são as crianças, passam por tentar criar um espaço onde elas se sintam motivadas, acompanhadas e com vontade de voltar sempre para praticar futsal». A juntar a isto, o responsável pretende que os jovens que ingressem na escola «sintam a felicidade e o orgulho de vestir a camisola do Benfica, pois fazem parte integrante como jogadores dos escalões de formação da maior referência do futsal nacional e uma das mais importantes a nível internacional».

Aqueles que entrarem na escolinha ficarão ligados “ao ninho da águia” e serão mesmo alvo de acompanhamento próximo por parte dos dirigentes encarnados de Lisboa. «Relativamente a este projecto, esperamos crescer de forma sustentada», desejou Nuno Martinho.

Miguel Tente começou por referir que «acreditamos neste projecto pelo seu valor pedagógico», passando a explicar que «cada criança tem uma história de vida que deve ser respeitada e num processo de ensino-aprendizagem devemos descer ao mundo delas, compreender os seus anseios, afastar os seus medos e partilhar as suas alegrias».

O experiente técnico garante que «apostando na vertente pedagógica, a criança como desportista, além de aprender habilidades e desenvolver capacidades, vai construir valores e atitudes de uma forma mais positiva, tendo como base um ensino baseado no prazer de jogar, numa cultura de lazer, na valorização da auto-estima e construção da cidadania».

Para Miguel Tente, «o mundo das crianças é algo de fascinante. Nestes 18 anos de futsal, foram inúmeros os exemplos que vi, em que o mundo dos adultos, através da selecção, do desenvolvimento precoce, da procura de talentos e conquista de títulos a todo o custo, fez nascer os ditos craques com “pés de barro” e desaparecer crianças que apenas tinham o prazer de jogar».

Directores confiantes
Joaquim Silvestre, responsável pela Área de Recrutamento e Formação e Área Técnica do SLB, garante que quer «levar o projecto do futsal do Benfica a todo o lado». O projecto de Coimbra agradou ao dirigente uma vez que «os responsáveis têm um grande “know how” técnico, há uma comunhão de ideias com o que pretendemos para a formação e há objectividade e seriedade por parte do projecto do Miguel Tente e do Nuno Martinho no trabalho apresentado».

O responsável benfiquista enalteceu que Coimbra «tem uma grande quantidade de praticantes e é um local excelente para abrir um pólo, uma vez que vai proporcionar a muitos jovens representarem o Benfica e servirá igualmente para “espicaçar” outras instituições a trabalharem bem na formação».

Joaquim Silvestre revela que o sucesso destas escolas começa quando «o gosto pela formação e pelo futsal vem sempre muito antes da parte financeira, uma vez que é preciso trabalhar muito, ser persistente e dinâmico para se obterem resultados positivos», acrescentando que «os pais e as crianças são muito mais exigentes quando se trata de uma escola do SLB».

O dirigente benfiquista salientou ainda que «as crianças e os treinadores são parte integrante da estrutura do futsal do Benfica», pelo que em cada torneio ou evento em que participem estarão sempre em nome do SLB.

A assinatura do contrato que oficializou a escola de futsal do Benfica em Coimbra realizou-se em Lisboa e as inscrições poderão ser feitas através do e-mail This e-mail address is being protected from spam bots, you need JavaScript enabled to view it endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , sendo que, brevemente, estará disponível no site do Benfica, na área dedicada às escolas, a ficha de inscrição. Os treinos começam em Setembro.

Ricardinho apoia escola de Coimbra
É considerado por muitos como o melhor futsalista português da actualidade. Ricardinho dá a cara pelas escolinhas de futsal do Benfica e, na apresentação do futuro pólo de Coimbra, o “mágico”, marcou presença, deixando votos de felicidades para o projecto. «Parabéns por fazerem este projecto. Certamente vão ajudar a formar grandes jogadores e acima de tudo grandes Homens», frisou.

Ricardinho aconselha os mais jovens a «seguirem os seus sonhos que têm», porém «nunca devem abandonar os estudos», dando como exemplo… ele próprio. «Eu deixei e não o deveria ter feito, por isso posso aconselhá-los a prosseguirem os estudos em conjunto com a aprendizagem de futsal».
 

 

Treinar o Centro Social S. João na época passada foi um novo desafio e como disse um dia Michael Jordan “O triste da vida não é ter problemas ou derrotas. O triste da vida é ser medíocre. É não errar pelo simples facto de nunca ter tentado”. Foi uma época especial em que recusámos ser medíocres, em que nunca tivemos o medo de errar e fizemos aquilo que acreditávamos. Perdemos a subida no jogo decisivo é certo...mas não confundimos derrota com fracasso, nem vitória com sucesso. Tivemos a humildade de saber perder e a coragem de enfrentá-la e por isso voltamos esta época sem medo de errar, porque continuamos a acreditar que um dia podemos ser campeões!

 
Técnicas Cognitivas PDF Print E-mail
Written by José Luis Gonzalo Marrodán   

Como apresenta Williams (1993), os dados mais consistentes disponíveis na literatura da psicologia desportiva científica apontam para uma correlação directa entre a autoconfiança e o sucesso na competição. Aquilo que os jogadores de uma equipa pensam ou verbalizam relativamente à competição é crítico, e afecta o seu rendimento a curto ou a longo-prazo. Em virtude disto, um pensamento ou uma forma de pensar inadequada conduz a sentimentos negativos e a um rendimento desportivo pobre; pelo contrário, um pensamento apropriado ou positivo conduz a / proporciona sentimentos de valia e alto rendimento desportivo (Rosin e Nelson, 1983; Dorsel, 1988; Kendall, Hrycaiko, Martin e Kendall, 1990).

A chave para o controlo cognitivo - os pensamentos – é o auto-diálogo (Williams, 1993). A frequência e o conteúdo de dois pensamentos variam de uma pessoa para outra; mas podemos afirmar que cada vez que pensamos acerca de algo estamos a falar ou a dialogar com nós próprios. O auto-diálogo, quando é negativo, distrai da tarefa que há que realizar e interrompe as capacidades automáticas aprendidas. O auto-diálogo é especialmente destrutivo quando um jogador ou toda uma equipa se etiqueta de forma pejorativa (Ellis,1988).

Uma vez estabelecida a necessidade de conhecer e, caso necessário, modificar o diálogo interno do jogador como factor-chave que determina os nossos sentimentos (confiança, utilidade, valia…) e comportamentos (rendimento desportivo), faz sentido o artigo que desenvolveremos de seguida, o qual apresenta um programa de trabalho em técnicas cognitivas neste âmbito.

Objectivos do programa de treino em técnicas cognitivas

Os objectivos do programa de treino em técnicas cognitivas são (Gonzalo, 1997):
1. Tornar os jogadores conscientes do impacto que a sua actividade cognitiva (isto é, os seus pensamentos) tem nos seus sentimentos e no seu comportamento.

2. Identificar aquilo que os jogadores dizem a si próprios nas diferentes situações de prática desportiva - quando estão a perder, quando falham um remate, quando lhes roubam a bola, quando uma marcação é muito intensa, etc… - com o objectivo de conhecer quais situações e acontecimentos estão associados a determinados padrões cognitivos.

3. Modificar – caso seja negativo ou interfira con a execução desportiva – aquilo que os jogadores dizem a si mesmos em determinadas situações desportivas com o objectivo de tornar os seus sentimentos e comportamentos mais eficazes.

4. Ajudá-los a identificar e responder às distorções de pensamento pós-competição, substituindo estas por outros pensamentos alternativos mais ajustados à realidade.

Técnicas para cada objectivo e metodologia

Técnicas para o primeiro objectivo: Para tornar os jogadores mais conscientes do poderoso impacto que têm os pensamentos nos seus sentimentos e no seu comportamento em campo, utilizamos a retrospecção (Williams, 1993). Esta consiste em que os jogadores recordem um determinado jogo no qual, por exemplo, jogaram muito bem e tentem recriar os pensamentos que tiveram lugar antes e durante esse jogo. Muitos jogadores são capazes de identificar padrões de pensamento associados a boas e más actuações. Com isto conseguimos que os jogadores tomen consciência da situação específica que conduziu a este tipo de pensamento.
 
Técnicas para o segundo objectivo: Para identificar aquilo que os jogadores dizem a si mesmos nas diferentes situações desportivas de forma a averiguarmos que acontecimentos estão associados a determinadas formas de pensar, podemos utilizar, para além da retrospecção, o questionário “Sport Performance Feedback” (Williams, 1993) Este questionário pode ser administrado depois dos jogos e permite recolher, além de informação directa do auto-diálogo dos jogadores, outros dados referentes a variáveis relevantes na psicologia desportiva. Também se pode utilizar o vídeo: visionar vídeos de jogos ajuda o jogador a evocar estes pensamentos, podendo, simultaneamente, anotá-los num papel.

Técnicas para o terceiro objectivo: Para modificar aquilo que os jogadores dizem a si mesmos em determinadas situações - potencialmente geradoras de stress - utilizamos as auto-instruções (Meichenbaum, 1977). Estas são utilizadas quando aquilo que o jogador diz a si mesmo interfere na / é inadequado para a execução do comportamento desportivo (Ruiz Fernández, 1993). O psicólogo, junto com os jogadores, revê as situações stressantes do jogo que põem em marcha os pensamentos negativos; por exemplo, um jogador de andebol falha um remate numa excelente posição para marcar, sendo os seus pensamentos após este erro os seguintes: "Que mal eu estou, não acerto uma; acho que não podemos com eles!...".

Este autodiálogo interfere com a tarefa pois gera ansiedade e impede o jogador de se centrar na jogada seguinte ou naquilo que o treinador lhe disse. Isto ensina-o que neste caso, e em primeiro lugar, mediante a técnica chamada paragem de pensamento (Meyers e Scheleser, 1980) deve suspender a cadeia de pensamentos negativos dizendo a si mesmo "Basta!". Depois, é-lhe explicado que tem que utilizar nesta situação as auto-instruções previamente treinadas (frases curtas que dizemos a nós mesmos internamente para nos orientar com éxito em detrrminado comportamento).

Entre psicólogo e jogadores determinam-se quais auto-instruções poderá utilizar nesse momento (por ex. "Se continuar a tentar, conseguirei marcar golo pois estamos a conseguir meter bolas na área do adversário!". Estas auto-instruções, como aponta Buceta (1991), servem para recordar que o que acontece é algo “possível” de acontecer, que é inerente ao jogo, que não é nada de mais, que os golos já aconteceram antes, que nesse momento é racional centrar-se naquilo que o treinador lhe indica e não no facto de ter falhado o tiro.
Outro momento em que se podem pôr em práctica as auto-instruções é quando a equipa está a perder (em andebol ou basquetebol) por vários pontos de diferença. É muito provável que sejam aflorados sentimentos de desânimo, que os jogadores comecem a sentir alguma ansiedade e se precipitem na construção das jogadas.

Além de poderem efectuar algumas inspirações profundas de forma a regularem o excessivo nível fisiológico que pode acompanhar esta situação, os jogadores têm que pôr em marcha auto-instruções – ensaiadas antes da competição – do seguinte tipo: "Temos tempo para recuperar; vamo-nos centrar em concretizar este ataque". As auto-instruções deverão ser curtas e congruentes com o estado de ânimo. Não se debe, neste sentido, dizer-se "não estou nervoso" quando na realidade se está. É melhor dizer-se: "Estou nervoso, mas sei o que tenho que fazer para o superar". De qualquer forma, é fundamental que o jogador perceba que o que se diz o ajuda a superar a situação stressante.

Resumindo, podemos utilizar as auto-instruções para (Gonzalo, 1997):
1. Analisar e prever aquilo que pode acontecer num determinado jogo (os inconvenientes que um jogo tem: estar a perder, falhar lances, perder bolas…), e recomendar aos jogadores, conjuntamente com o psicólogo e o treinador da equipa, auto-instruções curtas e claras que poderão ser utilizadas nesses momentos para que orientem o comportamento desportivo com eficácia, que demonstrem que há uma saída para a a situação.

2. Para motivar os jogadores, já que estas podem ser motivantes por si mesmas, isto é, que a sua utilização tão pouco se restringirá apenas às situações nas quais encontramos padrões negativos de pensamento.
Técnicas para o quarto objectivo: Especialmente quando se perde, ou quando não se jogou bem, ou quando as circunstâncias da derrota tenham sido particularmente dolorosas - como perder por lançamentos livres ou por penalti, no caso do futebol -, ou ainda quando se perde jogando bem mas “não se teve sorte”, devemos estar atentos às distorções cognitivas que podem afectar os jogadores. Gauron (1984) recolheu as distorções cognitivas que, comunmente, mais afectam os jogadores:

1. A perfeição é necessária: Uma das ideias irracionais ou distorções cognitivas que afectam com mais frequência os atletas é a de que devem ser competentes e perfeitos em tudo o que tentam. Os atletas que pensam que devem ser perfeitos culpar-se-ão a si mesmos por qualquer erro que cometan. O seu autoconceito será muito baixo quando se enganarem. Este tipo de distorção conduz, ainda, a que o jogador se sinta pressionado, não disfrute com o jogo e não tenha um desempenho óptimo.

2. Catastrofização: Acompanha normalmente as tendências perfeccionistas. Se o atleta acredita que qualquer falha é um desastre humilhante, há que actuar sobre esta distorção. Pensar que as derrotas são catástrofes não servirá de nada. O útil passará sim por corrigir defeitos e prever, dentro daquilo que é humanamente possível, acontecimentos futuros.

3. O valor pessoal depende do êxito: Há que ajudar os jogadores a valorizarem-se não só pelo êxito (ganhar, jogar como titular…) mas também pelo seu contributo geral na equipa (frequentemente maior do que normalmente é percebido pelo jogador) e pelo esforço pessoal que, como profissionais, efectuam para superar os desafios.

4. Culpa: Nada se ganha com desculpas ou com a atribuição dos erros aos outros. Da mesma maneira, nada se consegue com atribuir-se a si próprio todas as culpas da derrota. O psicólogo deve ajudar os jogadores e treinadores a efectuarem atribuições adequadas de responsabilidade sobre o seu desempenho e rendimento.

5. Pensamento polarizado: Trata-se da tendência para ver as coisas e as pessoas em termos de “tudo ou nada” (pensamento absolutista). O pensamento do “tudo ou nada” conduz o desportista a categorizar qualquer acontecimento como “com êxito” ou “sem êxito”, bom ou mau … Este pensamento também se apresenta frequentemente na forma de “etiquetas”: "Esta é uma equipa perdedora"; "não têm agressividade"; "são uma equipa faltosa …" Descrever algo ou alguém de forma avaliativa em duas ou três palavras estereotipadas é muito negativo já que os atletas tendem a introjectá-las, passando assim a formar parte do seu autoconceito e influenciando as suas expectativas. As “etiquetas”, ainda, são muito difíceis de eliminar; convém, neste sentido, tentar evitar este tipo de linguagem categórica.

6. Sobregeneralizações: Trata-se de, a partir de algumas experiências, deduzir uma frase válida para todo o tipo de situações. É concluir sem ter suficientes dados empíricos para tal. Exemplo: a partir do facto de terem corrido mal dois jogos num determinado campo, afirmar que não se consegue realizar bons jogos ou mesmo ganhar naquele lugar.

7. Personalizar: Consiste em ver-se a si mesmo como a causa das derrotas e dos fracassos. Exemplo: "Perdemos o jogo porque eu falhei o lançamento no último minuto."

Depois dos jogos analisa-se objectivamente, com a ajuda de vídeo, a actuação da equipa. O psicólogo, os jogadores e o treinador tê que estar muito atentos a qualquer tipo de verbalização e avaliação que se faça acerca do que sucedeu em campo. Particularmente, há que identificar e modificar as distorções anteriormente descritas porque podem afectar o ânimo dos jogadores. Do que se trata, em suma, é de efectuar uma análise objectiva do sucedido no jogo, ou seja, analisar os factos de modo a que se ajustem o mais possível ao que aconteceu durante o jogo. Para isso, podemos servir-nos da reestruturação cognitiva, tambén utilizada em clínica.

Esta consiste, basicamente, no seguinte:

1. O que os jogadores manifestam são hipóteses que devem ser comprovadas ou refutadas pela evidência empírica.

2. Há que procurar os dados que provem que o que se diz é efectivamente assim. 3. Discutir as opiniões à luz das evidências encontradas (Beck, 1984).
Para se efectuar uma reestruturação cognitiva com uma equipa de jogadores poder-se-á seguir o esquema que Andrés e Bas (1994) propõem para o âmbito clínico, e o qual pode ser transferido para a área desportiva sem problemas de maior.

Conclusões

Definitivamente, trata-se de que os jogadores e atletas percebam o psicólogo como um treinador, mas apenas no aspecto mental ou de mental training (Williams, 1993). Assim como um treino diário físico técnico e táctico leva a que os jogadores enfrentem a competição preparados nestas áreas, um treino (neste caso) cognitivo - o qual não exclui, evidentemente, que se possam utilizar outras técnicas para outros níveis dentro do triplo sistema de resposta – pode contribuir para que os jogadores possuam uma adequada preparação no aspecto psicológico.

Referencias

Andrés, V., Bas, F. (1994). Terapia cognitivo-conductual da depresión: um manual de tratamiento. Madrid: Fundación Universidad Empresa.
Beck, A. (1984). Cognitive approaches to stress. Em R. Woolfolk, e C. Lehrer (Comps.). Principles and practice of stress management. New York: Guilford Press.
Buceta, J. M. (1991). A intervención conductual em o deporte de competición. Em G. Buela-Casal, e V. E. Caballo (Comps.). Manual de psicología clínica aplicada. Madrid: Siglo XXI de España Editores.
Dorsel, T. (1988). Talk to yourself: realistic selftalk means less stress on the course. Australian Golf Digest, 49, 46-47.
Ellis, A. (1988). Can we legitimately evaluate ourselves? Psychotherapy Theory, Research and Practice, 25, 314-316.
Gauron, E. F. (1984). Mental training for peak performance. Lansing New York: Sport Sciences Associates.
Gonzalo, J. L. (1997). Psicología do deporte aplicada: técnicas de intervención psicológica para a mejora do rendimiento físico e deportivo em deportes de equipo. Um programa de trabajo. San Sebastián: Servicio de publicaciones do gabinete de psicología clínica e educativa.
Kendall, G., Hrycaiko, D., Martin, G., e Kendall, T. (1990). Effects of an imagery rehearsal relaxation and seltalk package on basketball game performance. Journal of Sport and Exercise Psychology, 12, 157-166.
Meichenbaum, D. (1977). Cognitive-Behaviour Modification. New York: Plenum.
Meyers, A. W., e Scheleser, R.A. (1980). A Cognitive behavioral intervention for improving basketball performance. Journal of Sport Psychology, 2, 69-73.
Rosin, L., e Nelson, W. (1983). The effects of rational and irrational self-verbalizations on performance efficiency and levels of anxiety. Journal of Clinical Psychology, 39, 208-213.
Ruiz Fernández, M. A. (1993). Técnicas cognitivas e terapias cognitivo-conductuales. Em M. A. Vallejo, e M. A. Ruiz (Comps.). Manual práctico de modificación de conducta, Tomo 2. Madrid: Fundación Universidad Empresa.
Williams, J. M. (1993). Applied sport psychology: personal growth to peak performance. California: Mayfield Publishing

 

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